Ecobarreiras: um futuro para os igarapés de Manaus

Por Prefeitura de Manaus – 28, maio, 2024


Rios espalham vida e não lixo. Visando à preservação dos recursos naturais, a prevenção de enchentes e o combate a possíveis focos de proliferação de doenças, a Prefeitura de Manaus adota tecnologia social inédita no tratamento dos igarapés que cortam a cidade. Iniciado este ano, o projeto de instalação de ecobarreiras para contenção de resíduos em cursos d’água chama a atenção pela capacidade de otimizar o trabalho de coleta sem interferer no fluxo natural do ecossistema local.

Manaus é entrecortada por mais de 150 igarapés. Do leito dos rios e destes cursos d’água são retirados mais de 700 toneladas de lixo, todos os meses, segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp). São 60 quilômetros de orla percorridos para garantir que essas areas estejam limpas.

Manaus Moderna, Panair, além do igarapé do Franco e igarapé do 40, Marina do Davi, porto da Companhia Energética do Amazonas (Ceam), praia da Lua, e ainda regiões rurais, como comunidades do Livramento, Julião, Abelha e Nossa Senhora de Fátima, recebem, mensalmente, ações da prefeitura. Mais de três mil homens trabalham nas frentes de limpeza da cidade, todos os meses.

Pensando nisso, um projeto piloto de estruturas flutuantes, que ajuda a reter o lixo e ainda a filtrar a água com recursos naturais como pedras e concentração de muriru, vem sendo testado no igarapé Beira-Rio, localizado na avenida Beira-Mar, bairro Coroado, zona Leste. Desde então, a ecobarreira foi responsável pela retenção de 28,8 toneladas de lixo. A cada dois dias, 600 quilos de resíduos são retirados pelos agentes de limpeza da Semulsp.

Avaliada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Mudança do Clima (Semmasclima) como uma medida sustentável e factível, a ecobarreira-piloto foi aprovada e aprimorada. Agora, a Prefeitura de Manaus segue para a implantação de outros dois trechos: no igarapé dos Franceses, na extensão localizada ao lado da avenida do Samba, na zona Centro-Oeste; e no igarapé do Passarinho, bairro Nova Cidade, zona Norte da cidade.

Somente no igarapé do Passarinho serão instaladas três ecobarreiras ao longo de 7,5 km de extensão. A escolha dos locais que recebem a nova tecnologia leva em consideração o mapeamento georreferenciado das áreas com maior incidência de descarte incorreto de lixo. Dessa forma, a Prefeitura de Manaus atua para evitar que o lixo chegue até o Rio Negro.

As ecobarreiras atuam como filtro dos poluentes de águas sem uso de produtos químicos. Com o manejo e destinação correta do Muriru, já adotado em países como o Japão, é possível capturar detritos flutuantes como plásticos e garrafas, atendendo às políticas de meio ambiente, responsabilidade social e governança (ESG) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) como meta para o planeta até 2030.

Planta aquática com alta capacidade de absorção de nitratos e fosfatos presentes em águas eutrofizadas, ou seja, em processo de pouição, o Muriru ou aguapé contribui ainda para reprodução de alevinos e alimento para outros espécimes da fauna local. A planta garante também a absorção de  metais pesados presentes na água, principalmente ferro, cálcio, manganês e magnésio.

Para acompanhar esse processo, a Prefeitura de Manaus estabeleceu uma parceria com as universidades públicas para medição da qualidade da água. O projeto que trabalha de forma transversalizada na recuperação dos ecossistemas ambientais de Manaus sera monitorado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

O sistema de ecobarreiras vem sendo adotado por outras cidades como Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RS) e Itajaí (SC). Na capital do Rio Grande do Sul, mais de mil toneladas de resíduos foram retiradas do Arroio Dilúvio desde 2016. Já no Rio de Janeiro, a estimativa é de coleta de 315 toneladas de lixo de rios e canais em Jacarepaguá, na zona Oeste da cidade. Na cidade de Itajaí, o projeto vem sendo testado em nível de pesquisa, pelo Instituto Federal de Santa Catarina.

Adotar um sistema de proteção para os cursos d’água é levar o Meio Ambiente a sério e garantir um exemplo de preservação da vida para o futuro.